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Oposição cobra atuação “firme” contra chacinas

Conflitos entre facções rivais no Ceará, que motivaram duas chacinas no intervalo de 72 horas, mobilizaram reações também no meio político. A oposição insiste na tese de intervenção federal no Estado, enquanto aliados do governo ressaltam ações já implementadas para combater a violência crescente.

O deputado Heitor Férrer (PSB) disse que o Ceará está “estarrecido pela violência ocorrida” no bairro das Cajazeiras, onde a “rivalidade entre facções do crime organizado levou ao assassinato de 14 pessoas, muitas das quais não tinham qualquer envolvimento com a criminalidade”.

O parlamentar avalia que as sequências de mortes revelam que “chegamos ao fundo do poço” e que o governador Camilo Santana “não pode continuar calado diante dessa barbárie”.

Cid
Férrer cobra a responsabilidade do governo estadual na proteção ao cidadão e cita a política iniciada ainda no governo Cid Gomes. “O governador [Camilo Santana] mantém o mesmo projeto fracassado, iniciado há 12 anos pelo governador Cid Gomes, que, basicamente, reside na compra de viaturas e concurso para polícia, sem qualquer planejamento, sem investir na inteligência e sem quebrar os mecanismos geradores da violência, que estão lá atrás. O governador entra no seu último ano de governo com um certificado de total fracasso no combate à violência e se descredencia para emitir qualquer promessa aos cearenses. Nós queremos ação, atitude, solução, governador”, ressalta.

Urgente
Já a deputada Aderlânia Noronha (SD), que também integra o grupo de oposição na Assembleia Legislativa, cobrou, por meio de mensagens e notas, providências urgentes do Governo do Estado contra a criminalidade e, principalmente, para identificação dos autores das mortes registradas no Bairro Cajazeiras, em Fortaleza. A parlamentar disse que a notícia sobre a chacina “deixa a todos nós apavorados e com a sensação de que, cada vez mais, o comando do crime assume o controle de nosso Estado”. Aderlânia criticou, também, as palavras do Secretário de Segurança Pública, André Costa, de que, mesmo com a dimensão a chacina, “não há motivo para pânico”.

Cobrança
Em outro trecho da nota, Aderlânia Noronha afirma que “o aumento descontrolado dos grupos de facções só tem sido possível em razão da omissão das autoridades de segurança e da lacuna que o Estado tem deixado livre para que o mundo do crime possa ocupar e agir sem qualquer receio de ser combatido”. Aderlânia finaliza a nota com uma cobrança: “seguiremos cobrando das autoridades mais respeito e atitude diante de casos tão selvagens de violência contra nossa sociedade”.

Plano
Líder da oposição na Assembleia Legislativa, o deputado Capitão Wagner (PR) fez uma transmissão ao vivo no Facebook na qual afirmou que, além das críticas ao governo do Estado, tem apresentado “muitas sugestões e muitos projetos para tentar viabilizar essas soluções”. O parlamentar exibiu um “Plano de Segurança”, elaborado por ele, com 42 projetos e “sugestões” para reduzir a criminalidade no Ceará. O documento, segundo lembrou Wagner, foi entregue ao governador Camilo Santana e ao então secretário de Segurança, Delci Teixeira, ainda em 2015. O material, que segundo ressaltou, também foi apresentado ao atual secretário, André Costa, em 2017,e inclui a proposta de bloqueio do sinal de celulares em presídios, a implantação do sistema de videomonitoramento, a mediação de conflitos e até o projeto de ocupação de espaços públicos, “com a realização de passeios ciclísticos”. “Não é um projeto só policialesco”, resume o parlamentar.

Controle
Wagner questionou a afirmação de Camilo Santana, no último domingo (28), de que o Estado teria “o controle da situação”. “Como ele [Camilo] sabe onde estão os criminosos, como ele sabe aonde estão acontecendo os crimes e a situação chegou a este ponto?”, questionou o parlamentar. “A gente ouviu uma fala do governador negando a chegada de novas facções, mas fica difícil de acreditar porque lá no passado o governador negou que GDE, PCC e Comando Vermelho estivessem aqui no Estado, mas já estão atuando há mais de 20 ano”, enfatizou.

Responsabilidade
Ao falar da ação do Poder Judiciário, o deputado disse que diversas instituições tem sua parcela de culpa no avanço da criminalidade. “Não é culpa só do Governo do Estado, não só do governo Federal, mas é a culpa de todas as instituições que têm alguma responsabilidade. A própria Assembleia tem culpa porque não instala a CPI do Narcotráfico e não tramita os projetos que podem ajudar na área da segurança pública”, disparou.

Ação e discurso
“Se o governador der o exemplo, chamar as instituições, e de fato liderar esse movimento, eu tenho certeza que a sociedade vai estar do lado dele. Agora, se o governador continuar com esse discurso de que está tudo sob controle e de tentar baixar a poeira e apaziguar os ânimos, infelizmente a sociedade não vai estar concordando com tudo isso. A gente reconhece que o momento é difícil e que o momento é de união e, por conta disso, a gente tá aqui dando mais uma vez a nossa colaboração”, concluiu Wagner.

Intervenção
O deputado federal Domingos Neto (PSD) reafirmou a necessidade de uma intervenção federal na segurança pública do Ceará. “Em novembro passado, pedi intervenção federal na segurança pública do nosso estado. Trata-se de uma situação insustentável, triste e que precisa ser enfrentada da forma mais dinâmica possível. Estamos em estado de calamidade e só uma integração entre a nossa polícia e as forças de segurança nacionais podem ajudar a restaurar a normalidade”, ponderou.

Duas chacinas em 72 horas
Em um intervalo de menos de 72 horas, o Ceará registrou duas chacinas. A primeira, no último sábado, a maior já registrada no Ceará, 14 pessoas foram assassinadas no Forró do Gago, bairro Cajazeiras. Ontem, no município de Itapajé, a 124 km de Fortaleza, uma rebelião na Cadeia Pública do Município deixou pelo menos dez homens mortos e outros sete feridos. Nos dois casos, informações preliminares dão conta de que os crimes foram motivados pela disputa entre facções rivais.

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