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Faltam terrenos e valorização disparou em Maracanaú

Em Maracanaú, preço de terreno se valorizou em 12 vezes nos últimos oito anos. Prefeitura não tem mais lotes para doar

Alvo de investidores estrangeiros e brasileiros nos últimos anos, por conta das condições que oferece para a manutenção dos empreendimentos, o Ceará tem, atualmente, um cenário imobiliário diferente em uma das cidades de maior concentração industrial. Em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), o preço dos terrenos se valorizou em 12 vezes nos últimos oito anos, e a Prefeitura afirma não ter mais lotes para doar a empresários que buscam investir no município.

Benefícios

A doação de áreas para construção é um dos benefícios mais usados pelas cidades cearenses na atração de investidores e, para que a chegada de novos empreendimentos não registre um arrefecimento, o secretário de Desenvolvimento Econômico de lá, Antônio Filho, afirmou estar atuando com a isenção e redução de alguns impostos como IPTU e ISS para manter-se competitivo. “Além disso, quando os empresários chegam a comprar duas ou mais quadras em regiões onde as ruas ainda não existem ou estão somente no mapa, nós somos maleáveis fazemos o desvio dessas vias”, ressalta.

Ele acrescentou que o prefeito Roberto Pessoa, ainda em 2005, chegou a desapropriar uma área de cerca de 40 hectares, os quais já foram doados ao longo dos últimos anos, o que forçou o município oferecer outros incentivos.

Estratégia

E a estratégia tem surtido efeito, de acordo com os dados contabilizados pela pasta de Antonio Filho. Optando pelos abatimentos fiscais, ele destacou a chegada de uma unidade da Gerardo Bastos e de uma fábrica e ponto de distribuição da Ibyte em construção em Maracanaú. De 2005 a 2011, a cidade aportou R$ 1 bilhão em investimento a partir da chegada de 140 novas empresas captadas pelo programa de atração dirigido por Antonio Filho.

Agravantes

O mau uso de determinadas áreas adquiridas por empresários que não chegaram a concretizar empreendimentos é apontado por Antonio Filho como uma das causas da falta de terrenos para doação. Outro caso mencionado pelo secretário é a construção parcial nestes terrenos, nos quais, a parte agora ociosa, poderia ser aproveitada para outros fins. Na mesma perspectiva, o presidente da Associação das Empresas dos Distritos Industriais do Ceará (Aedi), Edilson Teixeira Júnior, defende que os lotes atualmente ociosos e que foram comprados com subsídio do governo estadual fossem devolvidos para serem novamente comercializados ou doados na captação de investidores. “O que precisa acontecer é uma ação do governo do Estado. Ele tem de exigir esses terrenos de volta, pois eles foram subsidiados para que indústrias se instalarem neles e isso não aconteceu”, protesta Edilson Teixeira.

De acordo com ele, além do vendido, existem 153 hectares em Maracanaú de posse do governo do Estado, incluindo uma área pensada para ser uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE).

Supervalorização

Sobre o aumento do preço dos terrenos em 12 vezes nos últimos oito anos, o secretário informou que esta exaltação não deve-se apenas à procura por industriais e comerciantes, mas também por pessoas interessadas em construir casas.

Ele ainda ressaltou como motivo para o aumento do preço a localização do município – “próximo ao aeroporto, à Fortaleza e a uma boa distância do Porto do Pecém” -, assim como o investimento em infra estrutura, que somou R$ 7 milhões em pavimentação e asfalto desde 2005.

Possível especulação

Atuando em Maracanaú há 16 anos, a imobiliária Lê Carvalho reforçou o dito por Antonio Filho e informou ter registrados bairros cujo metro quadrado chega a R$ 7 mil. Entre os bairros mais caros, foram citados Jereissati I, Alto da Mangueira, Luzardo Viana, Jardim Bandeirantes e Residencial Maracanaú.

Já o presidente do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci), Armando Cavalcante, alerta para a existência de especulação imobiliária na região. “Realmente a cidade tem crescido bastante nos últimos anos, acolhendo shoppings, grandes mercantis, hospitais e isso faz com que o setor imobiliário cresça, mas há quem queira se aproveitar disso”, argumenta.

Cavalcante ainda classificou o mercado como “sábio e não extrapola parâmetros”, quando falou que, em média, o comprador sempre conquista uma redução entre 10% e 20% do preço cobrado pelo vendedor.

FONTE: DIARIO DO NORDESTE

ARMANDO DE OLIVEIRA LIMA
REPÓRTER

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